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domingo, 21 de fevereiro de 2016

A Íntima Ligação de Jesus com o Povo de Israel !




         É na transfiguração de Jesus no Monte Tabor, uma colina da Galileia, onde o episódio é contado pelos 3 evangelhos (Mateus 17,1-8; Marcos 9,2-8; Lucas 9,28-36). Demonstra uma íntima relação de Jesus como Moisés, representante da lei, e Elias representante dos profetas. Eles falam da paixão, morte e ressurreição da qual Jesus iria passar em Jerusalém.
Evento no qual Jesus é crucificado e coroado, com a coroa de espinhos, como I.N.R.I (Iēsus Nazarēnus Rēx Iūdaeōrum), Jesus Nazareno, o Rei dos Judeus, evangelho de João 19,19.
E é na transfiguração de Jesus que surge uma nuvem e uma voz dizendo: “Este é o meu Filho, o Eleito, ouvi-o.” É a voz de Deus Pai, aquele que falou com Abraão, Moisés, Elias, se fez presente no povo eleito do Antigo Testamento, e mais presente no Novo Testamento, no Magnificat onde: “Socorreu Israel, seu servo, lembrado de sua misericórdia – conforme prometera a nossos pais – em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre”, evangelho de Lucas 1,54-55)
Em Jesus é realizada uma nova aliança, presente na eucaristia, em que o povo chamado à salvação passa a ser toda humanidade. O que começou com o povo de Israel, é ampliado para todos, no batismo passamos a ser reconhecidos como filhos de Deus Pai, e Jesus passa a ser nosso Irmão, e é Ele, quem devemos ouvir.
A transfiguração de Jesus é uma grande revelação, mostra que temos uma vida que vai além da vida terrena. Que Deus Pai nos ama, ao ponto de oferecer os seu Filho em holocausto pelos pecados da humanidade, com a realização de uma Nova Aliança, que amplia a salvação para todos. Basta sermos seguidores de Jesus, o Cristo crucificado como o nosso Rei, que venceu a morte com a sua ressurreição e abriu a porta do Céu, onde todos poderão ver a Deus face-a-face, sem imperfeições, mas na plena bem-aventurança eterna. É a promessa do Antigo Testamento, que se realizada no Novo Testamento, e o que precisamos fazer, é permitir que Jesus Cristo faça parte de nossa vida, no dia a dia desta caminhada terrestre.


terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Sobre a Crueldade !





           Para Montaigne a virtude é mais nobre, do que as tendências à bondade que nascem em nós. As almas bem autocontroladas por si mesmas e bem-nascidas tem em suas ações a mesma face das virtuosas. A virtude é maior e mais ativa do que se deixar conduzir tranquila e pacificamente pela razão, fruto de um bom temperamento. Quem tem um caráter naturalmente fácil e suave, e despreza as ofensas recebidas faz coisa bonita e digna de elogio; mas quem, é picado em carne viva e indignado por uma ofensa, nutre a razão contra um furioso apetite de vingança e por fim o controla depois de um grande conflito faz sem dúvida muito mais. O primeiro age bem, o segundo age virtuosamente; a primeira ação se chama bondade, a segunda ação se chama virtude. A virtude pressupõe dificuldade e oposição, e só pode ser exercitada em combate. Para Montaigne Deus é bom, forte, e generoso e justo, mas não o chamamos de virtuoso. Suas operações são todas naturais e sem esforço. Já para os filósofos estoicos e epicuristas devemos ir ao encontro da dor, da necessidade e do desprezo para combatê-los e manter suas almas em boa disposição, a virtude cresce muito quando é posta à prova. Saturnino diz, “que era coisa muito fácil e muito covarde agir mal; e que agir bem onde não houvesse perigo era coisa vulgar; mas que agir bem onde houvesse perigo era o próprio ofício de um homem de virtude”. O caminho da virtude não é fácil, suave e em leve declive, mas um caminho áspero e espinhoso, de dificuldades externas contra as quais devemos lutar e dificuldades internas que lhe são fornecidas pelos apetites desordenados e imperfeições de nossa condição. A virtude perfeita é reconhecida porque combate e suporta pacientemente a dor, porque resiste sem se deixar perturbar. Quando se julga uma ação particular de um homem é preciso considerar várias circunstâncias e o homem por inteiro que a produziu. O primeiro e mais perfeito grau de excelência, é quando a virtude se torna um hábito. Segundo Montaigne, “entre os vícios, odeio cruelmente a crueldade, tanto por natureza como por julgamento, como sendo o extremo de todos os vícios.” Os que devem combater a volúpia usam de bom grado, para mostrar que ela é totalmente viciosa e irracional. É preciso ser vigilante para retesá-la e endurecê-la. Assim fica a pergunta: “Quem não esquece, no meio das delícias, as penas que o amor traz consigo?” Para Montaigne, “tudo o que, na própria justiça, vai além da morte simples parece pura crueldade.” O ponto extremo que a crueldade pode chegar é, “que um homem mate um homem, sem cólera, sem medo, simplesmente para ver.” As índoles sanguinárias em relação aos animais atestam uma propensão natural à crueldade, que se estende aos homens. Em Roma, depois que se acostumaram aos espetáculos de mortes dos animais, chegaram aos homens e aos gladiadores. A própria natureza fixou no homem um instinto de desumanidade. Isso mostra a que nível de crueldade o homem pode chegar sentir prazer em ver a morte de animais e seres humanos, na forma de espetáculo, entretenimento. É a distorção do belo e o amor pela vida, pouca coisa tem valor, que valha a pena ser preservada. É a autodestruição do homem como ser racional, capaz de cometer atos virtuosos. É a predominância da barbárie, da irracionalidade, um exemplo nos tempos atuais foram as duas guerras mundiais e os campos de concentrações, com suas torturas e experiências realizadas com seres humanos. Muito temos que lutar para sermos realmente virtuosos.
Bibliografia:
DE MONTAIGNE, Michel. Os Ensaios – Uma Seleção, Organização de M. A. SCREECH, Tradução e notas de ROSA FREIRE D’AGUIAR, Penguin, Companhia das Letras.


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Que filosofar é aprender a morrer !



          Segundo Cícero, “filosofar não é outra coisa senão preparar-se para a morte.” Pois o estudo e a contemplação retiram nossa alma de nós e a ocupam separada do corpo, o que é um aprendizado e semelhança com a morte, pois toda sabedoria e razão do mundo ensinam a não ter medo de morrer. A razão escarnece de nós seu trabalho é fazer-nos viver bem. Podemos viver a volúpia ou a virtude nesta vida. Segundo Montaigne, a morte é o fim de nossa caminhada, é o objeto necessário de nossa mira; se nos apavora, como é possível dar um passo à frente sem ser tomado pela ansiedade?” A saída é não pensar nela. Quando a pessoa morre devemos dizer, ele parou de viver, ou ele viveu, em vez de ele morreu. É preciso preparar-se para a morte mais cedo. Para Montaigne, “meditar previamente sobre a morte é meditar previamente sobre a liberdade.” Não há mal na vida para aquele que compreendeu que a privação da vida não é um mal. Ao saber morrer liberta-se de toda sujeição e imposição. Aprender a morrer e desaprender a subjugar-se. A pensarmos na morte, e que estamos a cada dia da vida caminhando para a morte, para Montaigne acabar o que tem a fazer antes de morrer, todo o tempo vago parece curto, ainda que seja trabalho de uma hora. Devemos estar sempre prontos para partir. Assim Montaigne formula a seguinte pergunta: “Por que bravamente visar tantos objetivos quando a vida é tão curta?” Pois todos estão imersos em muitos trabalhos, objetivos, planos, assim se queixam quando vem à morte, uma interrupção dos projetos de vida. Feliz Montaigne, que se acha pronto para morrer. Pode ir quando Deus aprouver sem se lamentar de coisa alguma. “Desligo-me de tudo: minhas despedidas de cada um estão quase feitas, exceto de mim. Nunca um homem se preparou para deixar o mundo mais pura e plenamente, e desapegou-se mais completamente do que eu tento fazer.” Ao comentar sobre as diversas mortes, para Montaigne, quem ensinasse os homens a morrer os ensinaria a viver. Assim fica uma questão para Montaigne: “Em nossa religião (Cristã) não teve fundamento humano mais seguro que o desprezo pela vida. Não só o argumento da razão nos convida a isso, pois por que temeríamos perder uma coisa que, perdida, não pode ser lamentada?” O nosso nascimento nos trouxe o nascimento de todas as coisas, como a nossa morte trará a morte de todas as coisas. A morte é a origem de outra vida. Viver uma vida longa e viver uma vida curta tornam-se iguais pela morte, pois não há curto e longo nas coisas que não existem mais. Para Montaigne, “a mesma passagem que fizestes da morte à vida, sem paixão e sem temor, refazei-a da vida à morte. Vossa morte é uma das peças da ordem do universo, é uma peça da vida do mundo.” A morte faz parte de nós, a existência que temos está dividida entre a morte e a vida, ao nascermos somos encaminhados para morrer como para viver. A contínua obra de nossa vida é construir a morte. A vida não é em si nem bem nem mal: nela o bem e o mal têm o lugar que lhes dais. A morte não nos diz respeito nem morto nem vivo, vivo, porque existo, estou morto, pro não mais existo. Ninguém morre antes de sua hora. Todos os dias levam à morte: o último a alcança. Assim não há porque temermos a morte, devemos bem viver a cada momento, e preparados para a qualquer momento passarmos pela morte.
Bibliografia:
DE MONTAIGNE, Michel. Os Ensaios – Uma Seleção, Organização de M. A. SCREECH, Tradução e notas de ROSA FREIRE D’AGUIAR, Penguin, Companhia das Letras.


domingo, 14 de fevereiro de 2016

Ceticismo e Dogmatismo !






       O ceticismo nega a possibilidade do conhecimento verdadeiro, o dogmatismo afirma a possibilidade do conhecimento verdadeiro plenamente.
Podemos questionar três coisas na vida, a partir das perguntas:
         1 – Qual é a natureza das coisas ?
         Utilizando o relativismo de Heráclito e Protágoras, afirma-se que só conhecemos o que sentimos, e os fenômenos como nos aparecem.
         2 – Que atitude devemos assumir quanto a elas ?
         Devemos reconhecer e seguir os fenômenos, mas suspender o juízo quanto ao que está oculto, a coisa em si. O critério para uma conduta prática, sem, no entanto, possuir o critério da verdade objetiva.
         3 – Que resultará dessa atitude ?
         A renúncia ao juízo, eliminando as perturbações que a opinião traz às inevitáveis impressões dos fenômenos, alcançando a desejada imperturbabilidade.
         No dogmatismo há a pretensão de alcançar uma verdade absoluta e definitiva, uma evidência onde tudo permanece compreendido, no ceticismo não há uma pretensão a ser alcançada.
         Ao sábio resta apenas à probabilidade, não há como afirmar ou refutar absolutamente a coisa em si, fica suspenso toda forma de juízo.
Assim pergunta-se: Onde está a verdade?
“Na história da filosofia, o ceticismo aparece como antípoda ao dogmatismo. Enquanto o dogmatismo enche o pensador e o pesquisador de exagerada confiança em face da capacidade da razão humana, o ceticismo mantém desperto o sentimento do problema. Crava o aguilhão da dúvida no peito do filósofo, fazendo que este não se aquiete diante das soluções já dadas a um problema, mas continue lutando por soluções novas e mais profundas.”
(HESSEN, Johannes. 2003. p. 36)
         Bibliografia:
         HESSEN, Johannes ; Teoria do Conhecimento ; tradução João Vergílio Gallerani Cuter ; revisão técnica Sérgio Servulo da Cunha. – 2ª ed. – São Paulo: Martins Fontes, 2003.