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quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

UFO’s Above Earth !


É do senso comum ou conhecimento vulgar ter uma primeira suposta compreensão do mundo, oriunda da herança de um grupo social e das experiências atuais que continuam sendo feitas. O senso comum descreve as crenças e proposições que aparecem como normais, sem depender de uma investigação detalhada para se alcançar verdades mais profundas, como as ciências. É um tipo de conhecimento que se acumula no nosso cotidiano e é chamado de senso comum, quando instalado, passa de geração para geração. E em muitas vezes, o senso comum determina ações tomadas sem a devida reflexão filosófica científica.
O que o senso comum pode falar sobre: “UFO’s Above Earth”.
A ciência já é o conhecimento de uma prática sistemática. É um  sistema que adquire o conhecimento baseado em um método científico bem como um corpo organizado de conhecimento conseguido através de pesquisas. Generaliza-se que o conhecimento fornecido pela ciência tem um elevado grau de certeza, colocando a ciência em uma posição privilegiada com relação aos demais tipos de conhecimento. Teorias, métodos, técnicas, produtos, contam com aprovação geral quando considerados científicos.
O que a ciência pode falar sobre: “UFO’s Above Earth”.


sábado, 21 de novembro de 2015

Verdade e Poder !

Michel Foucault é um filósofo que esta em busca da verdade, ele quer conhecer a verdade e um ponto que ele aborda para chegar à verdade é o poder, pois a verdade está intimamente ligada ao poder. E a ciência que Michel Foucault escolhe para ser analisada, suas relações com as estruturas políticas e econômicas da sociedade, é a psiquiatria, por julgar que seja uma questão mais fácil de ser trabalhada, porque o perfil epistemológico da psiquiatria é pouco definido, e porque a prática psiquiátrica está ligada a uma série de instituições, de exigências econômicas imediatas e de urgências políticas de regulamentações sociais.
Foulcault aproveita a abertura política para dar continuidade as suas pesquisas no domínio da penalidade, prisões e disciplinas. Ele analisa o problema da reclusão política da psiquiatria, o esquadrinhamento disciplinar da sociedade.
Foucault é um filósofo que funda a teoria da história na descontinuidade. Certas formas de saber empírico como a biologia, a economia política, a psiquiatria, a medicina etc., o ritmo das transformações não obedecia aos esquemas suaves e continuístas de desenvolvimento que normalmente se admite.
 
Numa ciência como a medicina, por exemplo, até o fim do século XVIII, temos um certo tipo de discurso cujas lentas transformações − 25, 30 anos − romperam não somente com as proposições "verdadeiras" que até então puderam ser formuladas, mas, mais profundamente, com as maneiras de falar e de ver, com todo o conjunto das práticas que serviam de suporte à medicina. Não são simplesmente novas descobertas; é um novo "regime" no discurso e no saber, e isto ocorreu em poucos anos. (FOUCAULT, p. 5)
 
Ou seja, a verdade estava por ser descoberta e construída ao longo do tempo histórico. O importante em tais mudanças não é a sua rapidez e a sua grande amplitude, mas a modificação nas regras de formação dos enunciados que são aceitos como cientificamente verdadeiros. Não é a mudança de conteúdo, nem a alteração na forma teórica que importa, mas o que deve ser avaliado é o que rege os enunciados e a forma como estes se regem entre si para constituir um conjunto de proposições aceitáveis cientificamente e, consequentemente, susceptíveis de serem verificadas ou infirmadas por procedimentos científicos.
 
Em suma, problema de regime, de política do enunciado científico. Neste nível não se trata de saber qual é o poder que age do exterior sobre a ciência, mas que efeitos de poder circulam entre os enunciados científicos; qual é seu regime interior de poder; como e por que em certos momentos ele se modifica de forma global. (FOUCAULT, p. 5)
 
Para Foucault o que se deve ter como referência não é o grande modelo da língua e dos signos, mas a guerra e a batalha. A história da humanidade é belicosa e não linguística, existe uma relação de poder e não uma relação de sentido. A história deve ser analisada em seus menores detalhes, segundo a inteligibilidade das lutas, das estratégias, das táticas.
 
Nem a dialética (como lógica de contradição), nem a semiótica (como estrutura da comunicação) não poderiam dar conta do que é a inteligibilidade intrínseca dos confrontos. (FOUCAULT, p. 6)
 
Segundo Alexandre Fontana, Michel Foucault foi o primeiro a colocar no discurso a questão do poder, em contra partida da analise do conceito do texto, pelo texto com a metodologia que o acompanha, isto é, a semiologia, o estruturalismo etc.
Em termos políticos Foucault fala sobre o poder ampliando a discussão, pois a direita somente colocava os termos de constituição, de soberania, etc., portanto em termos jurídicos; a esquerda o marxismo, em termos de aparelho do Estado. Ninguém se preocupava com a forma como o poder é exercido concretamente e em detalhe, com sua especificidade, suas técnicas e suas táticas.
 
Contentava−se em denunciá−lo no "outro", no adversário, de uma maneira ao mesmo tempo polêmica e global: o poder no socialismo soviético era chamado por seus adversários de totalitarismo; no capitalismo ocidental, era denunciado pelos marxistas como dominação de classe; mas a mecânica do poder nunca era analisada. (FOUCAULT, p. 7)
 
A partir de 1968 foi possível fazer uma análise das relações de poder mais detalhadas, a partir das lutas cotidianas e realizadas na base com aqueles que tinham que se debater nas malhas mais finas da rede do poder.
 
Foi aí que apareceu a concretude do poder e ao mesmo tempo a fecundidade possível destas análises do poder, que tinham como objetivo dar conta destas coisas que até então tinham ficado à margem do campo da análise política. (FOUCAULT, p. 7)
 
Um exemplo é, se olharmos apenas pelo aspecto econômico, o simples internamento psiquiátrico, a normalização mental dos indivíduos, as instituições penais têm uma importância limitada, mas analisarmos o funcionamento geral das engrenagens do poder existentes nesses processos, os procedimentos tornam-se essenciais, de relevante importância para estudar as relações de poder e conhecer a verdade.
Para Foucault, o marxismo e a fenomenologia constituiriam um obstáculo objetivo à formulação das relações de poder.
 
Na medida em que é verdade que as pessoas de minha geração foram alimentadas, quando estudantes, por estas duas formas de análise: uma que remetia ao sujeito constituinte e a outra que remetia ao econômico em última instância; à ideologia e ao jogo das superestruturas e das infraestruturas. (FOUCAULT, p. 7)
 
A metodologia utilizada por Foucault é a abordagem genealógica, que é a forma histórica que dê conta da constituição dos saberes, dos discursos, dos domínios do objeto, etc., sem ter que se referir a um sujeito, seja ele transcendente com relação ao campo de acontecimentos, seja perseguindo sua identidade vazia ao longo da história. É uma análise da trama histórica, busca-se ver como os problemas são resolvidos. Livra-se do sujeito constituído, e chega-se a uma análise da constituição do sujeito na trama histórica.
Para Foucault a fenomenologia marxista apresenta dois obstáculos conceituais: ideologia e repressão. A ideologia apresenta três razões: A primeira, “está sempre em oposição virtual a alguma coisa que seria a verdade.” A segunda, “refere−se necessariamente a alguma coisa como o sujeito.” E terceiro, “está em posição secundária com relação a alguma coisa que deve funcionar para ela como infraestrutura ou determinação econômica, material, etc.” Já a repressão, “quando se define os efeitos do poder pela repressão, tem−se uma concepção puramente jurídica deste mesmo poder; identifica−se o poder a uma lei que diz não.” Ao se falar sobre o poder, há muito mais a dizer, existe um discurso que permeia todo o corpo social.
 
O que faz com que o poder se mantenha e que seja aceito é simplesmente que ele não pesa só como uma força que diz não, mas que de fato ele permeia, produz coisas, induz ao prazer, forma saber, produz discurso. Deve−se considerá−lo como uma rede produtiva que atravessa todo o corpo social muito mais do que uma instância negativa que tem por função reprimir. (FOUCAULT, p. 8)
 
Foucault define o papel do intelectual, aquele que irá denunciar a verdade que se apresenta, irá questionar o modelo vigente.
 
Durante muito tempo o intelectual dito "de esquerda" tomou a palavra e viu reconhecido o seu direito de falar enquanto dono de verdade e de justiça. As pessoas o ouviam, ou ele pretendia se fazer ouvir como representante do universal. Ser intelectual era um pouco ser a consciência de todos. (FOUCAULT, p. 8)
 
Segundo Foucault, há muitos anos que não se pede que o intelectual desempenhe esse tradicional papel. Existe um novo modo, uma ligação entre a teoria e prática. Os intelectuais já não se trabalham no universal, no exemplar, no justo e verdadeiro para todos, mas trabalha em setores determinados, em pontos precisos que se situam, nas condições de trabalho, condições de vida (a moradia, o hospital, o asilo, o laboratório, a universidade, as relações familiares ou sexuais). Com isso ganharam uma consciência muito mais concreta e imediata das lutas. Conhecem problemas específicos, “não universais”, diferentes daqueles do proletariado ou das massas. Assim Foucault define e diferencia o de intelectual “específico” por oposição ao intelectual “universal”.
 
Esta figura nova tem uma outra significação política: permitiu senão soldar, pelo menos rearticular categorias bastante vizinhas, até então separadas. O intelectual era por excelência o escritor: consciência universal, sujeito livre, opunha−se àqueles que eram apenas competências a serviço do Estado ou do Capital (engenheiros, magistrados, professores). Do momento em que a politização se realiza a partir da atividade específica de cada um, o limiar da escritura como marca sacralizante do intelectual desaparece, e então podem se produzir ligações transversais de saber para saber, de um ponto de politização para um outro. Assim, os magistrados e os psiquiatras, os médicos e os assistentes sociais. os trabalhadores de laboratório e os sociólogos podem, em seu próprio lugar e por meio de intercâmbios e de articulações, participar de uma politização global dos intelectuais. Este processo explica por que, o escritor tende a desaparecer como figura de proa, o professor e a universidade aparecem, talvez não como elementos principais, mas como “permutadores”, pontos de cruzamento privilegiados. (FOUCAULT, p. 9)
 
Com o desenvolvimento das estruturas técnico-científicas na sociedade contemporânea, há uma valorização do intelectual específico. A sua atividade encontra obstáculos e se expõe a perigos. Mas existe o risco da manipulação por partidos políticos ou aparelhos sindicais que dirigem as lutas locais, e principalmente a falta de uma estratégia global e apoios externos. Assim o intelectual específico pode não ser seguido, e se for seguido, ser somente por grupos muito limitados. Mas mesmo assim, o papel do intelectual específico torna-se cada vez mais importante, ele é obrigado a assumir reponsabilidades políticas, seja físico atômico, geneticista, informático, farmacologista, etc. A busca será da verdade, que de uma forma ou de outra está relacionada com o poder, a política é o campo de batalha.
 
O importante, creio, é que a verdade não existe fora do poder ou sem poder. A verdade é deste mundo; ela é produzida nele graças a múltiplas coerções e nele produz efeitos regulamentados de poder. Cada sociedade tem seu regime de verdade, sua “política geral” de verdade: isto é, os tipos de discurso que ela acolhe e faz funcionar como verdadeiros; os mecanismos e as instâncias que permitem distinguir os enunciados verdadeiros dos falsos, a maneira como se sanciona uns e outros; as técnicas e os procedimentos que são valorizados para a obtenção da verdade; o estatuto daqueles que têm o encargo de dizer o que funciona como verdadeiro. (FOUCAULT, p. 10)
 
A verdade é uma construção histórica social, esta diretamente ligada ao poder, uma produção dos efeitos de poder, expressa por uma política geral de cada sociedade, através dos discursos daqueles que dizem o que funciona como verdadeiro.
 
Em nossas sociedades, a "economia política" da verdade tem cinco características historicamente importantes: a "verdade" é centrada na forma do discurso científico e nas instituições que o produzem; está submetida a uma constante incitação econômica e política (necessidade de verdade tanto para a produção econômica, quanto para o poder político); é objeto, de várias formas, de uma imensa difusão e de um imenso consumo (circula nos aparelhos de educação ou de informação, cuja extensão no corpo social é relativamente grande, não obstante algumas limitações rigorosas); é produzida e transmitida sob o controle, não exclusivo, mas dominante, de alguns grandes aparelhos políticos ou econômicos (universidade, exército, escritura, meios de comunicação); enfim, é objeto de debate político e de confronto social (as lutas "ideológicas"). (FOUCAULT, p. 11)
 
Existe a forma do discurso científico e as instituições que produzem a verdade, e submete esta verdade aos interesses econômicos e políticos, transmitindo por toda a sociedade, como forma de exercer o poder. Segundo Foucault, a verdade é o “conjunto das regras segundo as quais se distingue o verdadeiro do falso e se atribui ao verdadeiro efeitos específicos de poder”.
O intelectual deve buscar saber se é possível construir uma política da verdade. Para mudar o regime político, econômico, institucional de produção da verdade. Desvincular o poder da verdade das formas de hegemonia (sociais, econômicas, culturais) no interior das quais ela funciona no momento. A questão política não é o erro, a ilusão, a consciência alienada ou a ideologia; é a própria verdade. Com a verdade se constrói o poder.
Imersos no mundo contemporâneo, dominado pela ciência e tecnologia, não há como nos desvencilharmos da verdade construída na forma de discurso, aparelhado pelo poder econômico político vigente. A verdade está na forma como se materializa o poder dominante, que não é uma única verdade, mas a verdade até então construída. Cabe ao intelectual elaborar as questões e questionar a verdade vigente na forma de poder. Não existe um único caminho para a sociedade, mas inúmeras opções, deve-se escolher a opção que torne a sociedade mais justa e feliz.
 
 
 

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

O Tamanho do Estado Brasileiro !



A crise atual no Brasil é a crise do Estado brasileiro, ou seja, seu tamanho e sua importância para a sociedade brasileira. Assim devemos pensar a razão da existência do Estado, e para que fim o Estado se materializa. Voltemos à atenção para as ideias:
Os homens não se associam tendo em vista apenas a existência material, mas, antes, a vida feliz. O Estado é a comunidade do bem viver para as famílias e para os agrupamentos de famílias tendo em vista uma vida perfeita que baste a si mesma. (ARISTÓTELES, p. 44) 
Quem pode influenciar a forma de ser de um Estado, ou seja, quem compõe o poder de ação do Estado ?
O consentimento dos homens reunidos em sociedade é o fundamento do poder. Aquele que se estabeleceu unicamente pela força só pode subsistir pela força. (DIDEROT, p. 158) 
O poder do Estado emana do povo, e deve estar a serviço do povo no sistema político em que vivemos, a democracia. E como um líder deve atuar, exercer o seu papel político ?
Um legislador hábil, que pretende servir o interesse comum e o interesse da pátria mais do que o seu próprio e o de seus herdeiros, deve empregar todo o seu engenho para atrair todo o poder para si. (MAQUIAVEL, p. 160) 
Para se resolver uma crise política, deve-se pensar a quais interesses devem servir. Buscar o poder pelo poder, perde-se a finalidade do poder, e se adquire um comportamento esquizofrênico, transtorno mental complexo que dificulta na distinção entre as experiências reais e imaginárias, interfere no pensamento lógico, nas respostas emocionais normais e comportamento esperado em situações sociais. (Site: http://www.minhavida.com.br/)
Os que possuem a ciência política, tenham ou não no exercício de seu poder o consentimento de seus súditos, apoiem-se ou não em leis escritas, sejam ricos ou pobres, devem ser considerados como tendo em uma arte determinada o fundamento de seu poder. (PLATÃO, p. 162) 
Em um Estado democrático de direito, o povo é o detentor do poder, através de seus representantes exerce o poder e tem o direito de destituir o seu líder caso não atenda aos interesses do povo.
A democracia é um Estado em que o povo soberano, guiado por leis que são sua obra, faz por si mesmo tudo o que pode fazer bem e por delegados tudo o que ele próprio não pode fazer. (ROBESPIERRE, p. 46) 
Assim, faz-se necessário a realização de um debate ideológico e político do que deve ser o Estado Brasileiro, pois estamos imersos em um modelo econômico capitalista com uma política neoliberal, sem alguma alternativa aparente, “somos levados para onde o vento está ventando”. Para um país, que possui uma constituição busca uma justiça social, com os inúmeros direitos sociais impostos por pela constituição. O que torna caro, de elevado custo à operação do Estado brasileiro. Até que ponto o povo brasileiro está disposto a pagar por um Estado caro ?
Penso que é sempre necessário colocar em algum lugar um poder social superior a todos os outros, mas acredito que a liberdade corre perigo quando esse poder não encontra diante de si nenhum obstáculo que possa conter sua marcha e dar-lhe tempo de moderar a si mesmo. A onipotência parece-me em si uma coisa ruim e perigosa. (TOCQUEVILLE, p. 162) 
Na busca da preservação das liberdades individuais, deve-se moderar o ímpeto do poder social, pois estamos vivendo a necessidade política e econômica de revisão do exercício do poder pelo Estado, o quanto podemos ter um Estado social em um modelo capitalista de ordem neoliberal. A finalidade da materialização de um Estado é tornar a vida mais feliz. O Brasil está caminhando em direção da felicidade sonhada ?
Referência bibliográfica:
GRATELOUP, Léon-Louis. Dicionário filosófico de citações; tradução: Marina Appenzeller. – São Paulo : Folha de S. Paulo, 2015.

Tamanho do Estado Brasileiro !

As Razões de Ineficiência do Estado !

A Sociedade Brasileira Contemporânea !

Veja os poemas...

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Não há como ser tolerante com o mal !

 
A verdade já existe, não é uma construção humana, o que ocorre na realidade é o processo de captação da verdade pelo intelecto, que produz um juízo verdadeiro ou falso acerca da verdade, a verdade que buscamos aceitar ou não.
A vontade é um apetite racional, e este apetite é somente do bem, é a inclinação daquele que deseja alguma coisa, que está direcionado para o bem.
O bem é aquilo que todas as coisas desejam. O fim é o bem ou o que tenha aparência de bem. (AQUINO, p. 143)
 
Aquele que quer viver para a verdade, tem como fim o bem, ou seja, uma inclinação natural para o bem, por desejar alguma coisa. Assim, para podermos ser pessoas de bem, não podemos ser tolerantes com o mal. Se buscarmos aceitar a verdade, nós iremos atender ao apetite racional do verdadeiro bem, que é só um para a verdade que já existe.
Sendo assim, o mal não é um bem, e esta é uma verdade. O mal só pode ser um bem, a partir de um falso juízo acerca da verdade, através da captação da realidade realizada pelo intelecto. Entender o mal como um bem é falso, e esta é uma verdade.
Portanto, ao tentarmos conhecer o que motiva a existência do Estado Islâmico, devemos buscar perceber o que os seguidores do Islã entendem como bem. Para praticarem tanto mal. Não seria um falso juízo acerca da verdade, do que seria um bem ?
As pessoas de bem não podem ser tolerantes com o mal, devem reagir, e se necessário for, fazer o uso da força e da violência, o que seria uma cruzada contra o mal, que quer invadir o ocidente livre, que busca viver o bem.
O ocorrido na França no dia 13/11/2015 representa um conflito de crenças e valores, os quais devem ser julgados a fim de se conhecer a verdade por detrás do mal. Pois o que está demonstrado, é que o fim que é o bem tem a aparência de bem, mas não é o bem, mas na realidade é o mal; e com o mal, as pessoas de bem não podem ser tolerantes com o mal, têm que estarem alertas e agir. O bem tem que vencer o mal.
Bibliografia:
AQUINO, Tomás. Suma Teológica – Volume 3, Seção I, Parte II, Questões 1-48, Edições Loyola, São Paulo, Brasil, 2003.
 
 

domingo, 15 de novembro de 2015

Uma Nova Ética Neoliberal para o Século XXI !


Vivemos um momento histórico desafiador para a vida no planeta terra, faz-se a necessidade do uso de uma inteligência coletiva:
Uma inteligência distribuída por toda parte, incessantemente valorizada, coordenada em tempo real, que resulta em uma mobilização efetiva das competências. (LÉVY, p. 26) 
A reunião do clima em Paris no ano de 2015 será um teste para humanidade e para a postura ética de seus líderes. Estamos diante de um grande desafio: Com qual modelo econômico queremos conviver ?
O neoliberalismo para o século XXI ressurge com uma força avassaladora, capaz de movimentar mercados, definir a cotação de moedas, reorientar políticas públicas dos países membros do G20, interferir na geração de trabalho, distribuição de renda, crescimento e desenvolvimento das nações.
Estamos diante da necessidade de uma transformação, segundo Pierre Lévy, uma ecologia humana generalizada.
A amplidão e a complexidade dos problemas com os quais depara a humanidade hoje, bem como as formidáveis mutações que afetam nossas sociedades, exigem uma reformulação das categorias econômicas e políticas forjadas em outro período e para resolver outros problemas. (LÉVY, p. 186) 
Ou seja, a humanidade muda, ou será forçada a mudar, e para tal, implica na construção de uma nova ética para o modelo econômico vigente, que é o capitalismo na forma de neoliberalismo no século XXI.
Devemos buscar uma forma justa de SER, no seu sentido metafísico e subjetivo, a constante e perpétua vontade de conceder o direito a si próprio e aos outros, segundo a igualdade, o respeito que há em cada um de dar a cada um o que é seu.
Assim estaremos tendo uma atitude de ALTERIDADE para com o próximo, um PARADIGMA ÉTICO que pode ser buscado como um ideal a ser vivido no século XXI.
Com a vida prática e utilitarista, as utopias do século XX morreram, mas o homem pode estabelecer o surgimento de uma nova utopia para o século XXI, mesmo que o ideal político econômico, cuja aplicabilidade seja julgada impossível por não corresponder, nem ser adequada à realidade humana.
A humanidade tem a necessidade de sonhar, e o que não fizemos nestes últimos 10.000 anos, que não foi buscar realizar os nossos sonhos ? Muitas utopias tornaram-se realidade, enquanto muitas concepções, consideradas tópicas, não passaram de simples quimeras, monstro com corpo de cabra, cauda de dragão e cabeça de leão; fantasia absurda; ilusão.
A reunião do clima em Paris no ano de 2015 tem que ser a oportunidade para sonhar, a construção de alternativas, o modelar de uma nova sociedade, baseada na alteridade, forjadora de uma ética do equilíbrio e da sustentabilidade, a aceitação de um novo PARADIGMA para o século XXI.
Se o mundo humano subsistiu até hoje, é porque sempre houve um número suficiente de justos. (LÉVY, p. 34) 
Não percamos a oportunidade de tornar a humanidade mais justa no século XXI, é uma necessidade de sobrevivência existencial.

Referência bibliográfica:
LÉVY, Pierre, A inteligência coletiva; tradução: Luiz Paulo Rouanet – São Paulo: Folha de São Paulo, 2015


sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Michel Foucault & Paulo Freire !

 
A partir de um deslocamento conceitual, podemos tomar o que Michel Foucault pensou em um em determinado campo e dialogar com as posições conceituais de Paulo Freire para construir uma verdade no campo educacional. Perceber o processo educacional como o sistema político de dominação que utiliza do poder disciplinar e torna o corpo uma força de trabalho. Fazendo da disciplina um tipo de organização do espaço. Uma técnica de distribuição dos indivíduos através de inserção dos corpos em um espaço individualizado, classificatório, combinatório. Cada cidadão é controlado por números, CI, CPF, Título de Eleitor, PIS, etc. Isola o corpo em um espaço fechado, esquadrinhado, hierarquizado, capaz de desempenhar funções diferentes segundo o objetivo específico que dele se exige. O controle do tempo, que estabelece uma sujeição do corpo ao tempo. Com o objetivo de produzir o máximo de rapidez e o máximo de eficácia. A vigilância contínua, perpétua, permanente; que não tem limites, e penetre nos lugares mais recônditos, presente em toda extensão do espaço. Finalmente um registro contínuo de conhecimento, que exerce um poder e produz um saber. Olha, observa, controla, extrai, anota e transfere as informações para o ponto mais alto da hierarquia do poder.
 
 

Atender ao maior objetivo do sistema de poder, tornar o homem útil e dócil. O indivíduo é uma produção do poder e do saber. A ação sobre o corpo, o adestramento do gesto, a regulação do comportamento, a normalização do prazer, a interpretação do discurso, com o objetivo de separar, comparar, distribuir, avaliar, hierarquizar, tudo isso faz com que apareça pela primeira vez na história esta figura singular, individualizada – o homem (o sujeito) – como produção do poder. Mas também, e ao mesmo tempo, como objeto de saber. Das técnicas disciplinares, que são técnicas de individualização, nasce um tipo específico de saber: as ciências humanas. Todo saber é político, tem sua gênese em relações de poder. Saber e poder se implicam mutuamente, não há relação de poder sem constituição de um campo de saber, como também, reciprocamente, todo saber constitui novas relações de poder. Por isso as instituições de ensino têm um papel importantíssimo, podem criar o novo, ou reproduzir o modelo vigente, legitimando o poder existente. Todo ponto de exercício do poder é, ao mesmo tempo, um lugar de formação de saber. É assim que o hospital não é apenas local de cura, “máquina de curar”, mas também instrumento de produção, acúmulo, e transmissão do saber. Do mesmo modo que a escola esta na origem da pedagogia, a prisão da criminologia, o hospício da psiquiatria. E, em contrapartida, todo saber assegura o exercício de um poder. É o saber enquanto tal que se encontra dotado, estatutariamente, institucionalmente, de determinado poder. O saber funciona na sociedade dotada de poder, e é enquanto é saber que tem poder.
Para Foucault poder produz saber, como os saberes produz novas relações de poder, que são usados para a manutenção das relações de poder. Muitas vezes são deixadas de lado práticas libertadoras na educação, o cuidar de si, o culto de si mesmo, o construir a sua personalidade. A educação tradicional é uma educação que tem um objeto externo ao sujeito, que é terminar o ensino fundamental, fazer o ensino médio, passar em um vestibular, concluir um curso superior e se inserir no mercado de trabalho. Há sempre um objetivo externo colocado para o processo educativo. Muitas raras vezes o processo educativo é pensado como um processo de construção do sujeito, em que o objetivo é cultivar-se, formar-se, fazer-se, construir-se em um processo de construção do sujeito, uma prática libertadora. Há duas formas de pensar a escola, uma, como um espaço do conhecimento e do ser, conforme modernamente foi pensada e está centrada no conhecimento e na transmissão do conhecimento, transmissão do saber. A outra forma está em aplicar o princípio do cuidado de si, a realidade educacional, o processo educativo passa a ser a formação do sujeito, e o sujeito constrói-se a si mesmo como uma obra de arte.
A escola tradicional educa e disciplina, é uma forma de conformar e fabricar o sujeito a partir de uma tecnologia de poder. O sujeito, cidadão comum é fabricado pelas tecnologias de poder disciplinar e no biopoder a educação moderna é o efeito das tecnologias de poder. O sujeito (aluno) é o efeito das construções das relações de poder. Contemporaneamente, se quisermos uma educação libertadora, libertária, comprometida com a construção autônoma do indivíduo, a instituição escolar deve buscar novos caminhos para a construção autônoma do sujeito (aluno). É o desafio do processo educacional para o século XXI.
 
 
 

sábado, 24 de outubro de 2015

Um diálogo entre Hobbes e Rousseau para o Brasil contemporâneo !



HOBBES 

1)    O homem natural de Hobbes não é um selvagem. É o mesmo homem que vive em sociedade. O homem brasileiro está preparado para viver em sociedade ? 

2)    Hobbes não afirma que os homens são absolutamente iguais, mas que são "tão iguais que...": iguais o bastante para que nenhum possa triunfar de maneira total sobre outro. Geralmente o mais razoável para cada homem é atacar o outro homem, ou para vencê-lo, ou simplesmente para evitar um ataque possível: assim a guerra se generaliza entre os homens. Por isso, se não há um Estado controlando e reprimindo, fazer a guerra contra os outros é a atitude mais racional. Com mais de 50.000 mortes por causas criminais no Brasil, podemos afirmar que vivemos uma permanente guerra civil ? 

3)    Segundo Hobbes encontramos na natureza do homem três causas principais de discórdia. Primeiro, a competição; segundo, a desconfiança; e terceiro, a glória. A primeira leva os homens a atacar os outros tendo em vista o lucro; a segunda, a segurança; e a terceira, a reputação. Os primeiros usam a violência para se tornarem senhores das pessoas, mulheres, filhos e rebanhos dos outros homens; os segundos, para defendê-los; e os terceiros por ninharias, como uma palavra, um sorriso, uma diferença de opinião, e qualquer outro sinal de desprezo, quer seja diretamente dirigido a suas pessoas, quer indiretamente a seus parentes, seus amigos, sua nação, sua profissão ou seu nome. Com isto se torna manifesto que, durante o tempo em que os homens vivem sem um poder comum capaz de os manter a todos em respeito, eles se encontram naquela condição a que se chama guerra; e uma guerra que é de todos os homens contra todos os homens. Hobbes pede um exame de consciência: “conhece-te a ti mesmo”. Segundo Hobbes, estamos carregados de preconceitos, que vêm basicamente de Aristóteles e da filosofia escolástica medieval. Mas o mito de que o homem é sociável por natureza nos impede de identificar onde está o conflito, e de contê-lo. A política só será uma ciência se soubermos como o homem é de fato, e não na ilusão; e só com a ciência política será possível construirmos Estados que se sustentem, em vez de tornarem permanente a guerra civil. O Estado brasileiro conhece profundamente o seu cidadão, ao ponto de ser capaz de desenvolver políticas segurança pública, que evite uma permanente guerra civil ? 

ROUSSEAU 

1)    A verdadeira filosofia é a virtude, esta ciência sublime das almas simples, cujos princípios estão gravados em todos os corações. Para se conhecer suas leis basta voltar-se para si mesmo e ouvir a voz da consciência no silêncio das paixões. Uma vez porém que já quase não mais se encontram homens virtuosos, mas apenas alguns menos corrompidos do que outros, as ciências e as artes, embora tenham contribuído para a corrupção dos costumes, poderão, no entanto, desempenhar um papel importante na sociedade, o de impedir que a corrupção seja maior ainda. As ciências e as artes podem muito bem distrair a maldade dos homens e impedi-los de cometer crimes hediondos. Não se trata mais de levar as pessoas a agirem bem, basta distraí-las de praticarem o mal. Impõe-se ocupá-las com bagatelas para desviá-las das más ações; em lugar de pregar-lhes, deve-se distraí-las. Para o homem que nasce bom e é corrompido pela sociedade, o Estado brasileiro tem promovido espetáculos para distrair o seu povo para manter a ordem social ? Como podemos perceber tal ação política ? 

2)    A partir do contrato social e do discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, estudarmos temas da filosofia política clássica, como a passagem do estado de natureza ao estado civil. O contrato social, a liberdade civil, o exercício da soberania, a distinção entre o governo e o governante, o surgimento da propriedade privada foram trabalhados na sociedade brasileira ao ponto de criar de um pacto social capaz de proporcionar ordem, progresso, justiça, paz, desenvolvimento e tornar a sociedade mais feliz ? 

3)    O Contrato Social, unamo-nos para defender os fracos da opressão, conter os ambiciosos e assegurar a cada um a posse daquilo que lhe pertence, instituamos regulamentos de justiça e de paz, aos quais todos sejam obrigados a conformar-se, que não abram exceção para ninguém e que, submetendo igualmente a deveres mútuos o poderoso e o fraco, reparem de certo modo os caprichos da fortuna. Numa palavra, em lugar de voltar nossas forças contra nós mesmos, reunamo-nos num poder supremo que nos governe segundo sábias leis, que protejam e defendam todos os membros da associação, expulsem os inimigos comuns e nos mantenham em concórdia eterna. Tal foi ou deveu ser a origem da sociedade e das leis, que deram novos entraves ao fraco e novas forças ao rico, destruíram irremediavelmente a liberdade natural, fixaram para sempre a lei da propriedade e da desigualdade, fizeram de uma usurpação sagaz um direito irrevogável e, para proveito de alguns ambiciosos, sujeitaram doravante todo o gênero humano ao trabalho, à servidão e à miséria. Em que medida o homem, ao estabelecer o Contrato Social, perdeu sua liberdade natural, e ganhou em troca a liberdade civil ? Não estamos todos acorrentados a um Contrato Social, que privilegia uma minoria ? Haja vista, a concentração injusta de renda e riqueza existentes no mundo contemporâneo ! A sociedade brasileira é justa ?
 
 

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Agir em vista do fim é próprio da natureza racional ?

 
Não ! Todo agente age em vista do fim.
A primeira causa é a final. O agente não move senão pela intensão do fim. A natureza racional age em vista em vista do fim por vontade deliberada, a petição racional. A natureza irracional age em vista do fim por inclinação natural. Uma coisa tende para o fim por sua ação ou por movimento. Os dotados de razão movem-se para o fim, porque têm o domínio de seus atos pelo livre-arbítrio, que é a faculdade da vontade e da razão. As coisas, porém, carentes de razão, tendem para o fim por inclinação natural, movidas que são por outras, não por si mesmas, porque não conhecem a razão de fim. A determinação a algo certo para um fim, na natureza racional faz-se pelo apetite racional, que se chama vontade, nas outras naturezas faz-se pela inclinação natural que se chama apetite natural.
 
 
 


domingo, 30 de agosto de 2015

Convém ao Homem agir em vista do fim ?


        Saber se ao Homem convém agir em vista do fim é uma questão a ser analisada. Não há como iniciar um processo de execução sem antes ter um fim na ordem de intensão. E na ordem de intensão o fim vem antes é a causa. Enquanto na ordem de execução o fim é o último, é o efeito. O Homem para agir em primeiro momento tem a intenção e em um segundo momento realiza a execução. O que levanta um questionamento, pois na realidade o Homem age em primeiro lugar tendo em vista um fim, pois assim convém ao Homem.
         O objeto da vontade do Homem é o fim e o bem. Assim é necessário que todas as ações humanas tenham em vista um fim. Pois as ações humanas realizadas pelo Homem pertencem ao Homem. É o que o diferencia das criaturas irracionais, e está no fato do Homem ter o domínio de seus atos. São ações humanas aquelas em que o Homem tem o domínio, e o domínio de suas ações ocorre pela razão e pela vontade, no uso de seu livre-arbítrio, que é a faculdade da vontade e da razão. E são ações humanas, as que procedem da vontade deliberada. O ato de vontade de raciocínio prático, que busca os meios para um fim. Assim é necessário que todas as ações humanas tenham em vista o fim.


sábado, 8 de agosto de 2015

Educação Sem Privilégio !

A escola brasileira é uma instituição que corporifica ideias e aspirações sociais do povo, a situação educacional brasileira reflete a forma como a nossa elite politicamente e economicamente dominante se preocupa com o desenvolvimento da grande maioria do povo brasileiro. Demonstra as razões que indicam os baixos índices de aproveitamento escolar, ou seja, as baixas notas que os alunos do ensino público obtêm nas avalições do MEC – Ministério da Educação. Tendo como causa fundamental a desvalorização do professor, profissional da educação, e as políticas públicas voltadas para a educação do ensino fundamental e médio.
Para analisarmos mais profundamente a situação educacional brasileira, o ponto de partida comum é o exame da educação escolar antes de se estabelecerem as aspirações modernas da escola universal para todos, proclamada na Convenção Revolucionária Francesa, que determina um novo estágio da humanidade, é uma nova concepção de sociedade em que privilégios de classe, de dinheiro e de herança não existem, onde o indivíduo pudesse buscar pela escola, a sua posição na vida social.
“Desde o começo, a escola universal era algo de novo e, na realidade, uma instituição que, a despeito da família, da classe e da religião, viria a dar a cada indivíduo a oportunidade de ser na sociedade aquilo que seus dotes inatos, devidamente desenvolvidos, determinassem. Assim a educação escolar passou a visar, a formação comum do homem, e sua posterior especialização para os diferentes quadros de ocupações, em uma sociedade moderna e democrática. Com a criação da nova escola comum para todos, em que a criança de todas as posições sociais iria formar a sua inteligência, vontade e caráter, hábitos de pensar, de agir e de conviver socialmente. Esta escola formava a inteligência, mas não formava o intelectual. O intelectual seria uma das especialidades de que a educação posterior iria cuidar, mas que não constitui objeto dessa escola de formação comum a ser, então, inaugurada.”
TEIXEIRA, Anísio, 2007, pág.44
Vejamos que, a busca de uma escola universal para todos começa na França no séc. XVIII e no Brasil esta busca de uma escola universal para todos começa no séc. XX. E devemos questionar, até que ponto as políticas públicas da educação brasileira são capazes de possibilitar ao indivíduo a oportunidade de ser na sociedade aquilo que seus dotes inatos, devidamente desenvolvidos, determinem. Parece-me que o Brasil está atrasado e as políticas públicas da educação não têm o foco necessário para promover a existência de uma sociedade mais justa e igualitária em oportunidades. Estes novos conceitos e aspirações do séc. XVIII na França ainda não se concretizaram imediatamente no Brasil, e já estamos no séc. XXI.
Mas antes houve uma revolução no ensino no final do séc. XVI, a escola (tradicional) era a oficina do conhecimento racional, a oficina era a escola (tradicional) do conhecimento prático. Uma não conhecia a outra. Com a aproximação entre estes dois mundos, com a transformação completa de um e de outro, dá-se o aparecimento da ciência experimental. Com o encontro entre o intelecto e a oficina é que partiu todo sistema de conhecimento científico moderno. É a ligação do conhecimento racional com a realidade concreta do mundo e da existência. A separação entre o prático e o racional ou o prático e o teórico desapareceram. Todo o conhecimento, em todas as suas fases, passou a ser prático, tanto em seus objetivos quanto em seus métodos. Assim desaparecem as diferenças entre os homens que estejam pesquisando, ensinando ou aprendendo, ou aplicando o conhecimento, no que diz respeito às suas atividades, todas elas materiais e práticas.
A escola se constitui em agência de educação do novo homem comum para uma sociedade de trabalho científico e não empírico, prepara trabalhadores para três fases do saber: A pesquisa, o ensino e a tecnologia. Todos teriam tudo em comum, exceto o gosto diferenciado por uma das fases.
Se fizermos um paralelo com o séc. XXI, podemos fazer as seguintes perguntas: Em que medida a escola constitui uma agência de educação do homem comum e contemporâneo? Vivemos a era da informação e conectividade, o conhecimento científico está ao alcance das mãos, basta ter um computador conectado na internet. A educação do séc. XXI ministrada aos alunos contemporâneos é estimulante e atende as suas necessidades? Até que ponto os prepara para a realidade da vida? A sociedade estará preparada para dar as respostas certas para os desafios futuros?
Parece-me, que estamos no fim de uma era, a educação ministrada até momento presente sofrerá uma grande transformação, para lida com as novas realidades, tecnologias e possibilidades. Por exemplo, como iremos nos educar, quando pudermos fazer um implante cerebral de um chip de computador? Como iremos lidar com a nanotecnologia e a revolução biológica que teremos? Como iremos lida com a cibernética avançada? A cibernética é uma tentativa de compreender a comunicação e o controle de máquinas, seres vivos e grupos sociais através de analogias com as máquinas eletrônicas. Como o homem irá educar um Ciborgue, o homem máquina? Um Ciborgue é um organismo cibernético, isto é, um organismo dotado de partes orgânicas e cibernéticas, geralmente com a finalidade de melhorar suas capacidades utilizando tecnologia artificial. Estes e mais outros são os desafios que estão a nossa frente, a pergunta é: O homem comum está sendo preparado para os desafios do futuro, que se apresentam no presente?
A educação deixou de ser a atividades de alguns para ser a atividades de todos. A escola é uma instituição que se transforma em uma agência de educação dos trabalhadores comuns, dos trabalhadores qualificados, dos trabalhadores especializados em técnicas de toda ordem e dos trabalhadores da ciência nos seus aspectos de pesquisa, teoria e tecnologia. Todas as escolas, do nível primário ao universitário, passaram a ser dominantemente escolas de ciências, já ensinando suas aplicações generalizadas, já as suas teorias especializadas, já o próprio trabalho de pesquisa, seja no campo teórico, seja no campo da aplicação.
É uma revolução educacional, a partir deste novo paradigma a sociedade educada passa a ser uma sociedade científica. Passa a valorizar tudo que tem uma utilidade prática conforme o uso da razão. O ensino se faz pelo trabalho e pela ação, e não somente pela palavra e pela exposição, como outrora, quando o conhecimento racional era de natureza especulativa, e destinado à pura contemplação do mundo.
Sendo este o modelo de escola adequado, até que ponto o sistema educacional brasileiro se aproxima deste modelo?
No Brasil há ilhas de excelência, não é o padrão do sistema de ensino brasileiro. Alguns cursos técnicos profissionalizantes, alguns cursos universitários se aproximam deste modelo vigente. Mas percebo que estamos diante de uma nova fronteira do conhecimento, a evolução tecnológica irá criar um novo modelo de educação. A informação estará disponível e será acessada automaticamente com a ajuda da robótica, e a questão será: O que faremos com a informação que viermos a conhecer? Este será um dilema filosófico e até ético, que têm por princípio fundamentar a conduta moral do homem. Que tipo de sociedade o homem irá construir? Uma sociedade da informação, do conhecimento e da ação fundamentada em princípios? O homem passará a ser educado para a ação? Pois o conhecimento já estará disponível e de fácil acesso? Olhando para frente, o futuro é a resposta a estas questões do presente, que são atuais e moldarão a vida humana.
No presente o modelo educacional brasileiro poderia ser muito bem empregado na Idade Média. Onde a atividade escolar consiste em “aulas”, que os alunos “ouvem”, algumas vezes tomando notas, e “exames” em que se verifica o que sabem, por meio de provas escritas e orais. Marcam-se alguns “trabalhos” para casa e na casa se supõe que o aluno “estuda”, o que corresponde a fixar de memória quando lhe tenha sido oralmente ensinado na aula. O modelo educacional brasileiro está obsoleto, não é capaz de atender as demandas do presente e nem projetar uma alternativa para o futuro. Está aprisionado em um sistema que precisa melhorar sofrer uma reforma pedagógica. Devemos voltar a fazer as seguintes perguntas: O que é ensinar? Oque é estudar? O que é aprender? E quando se está formado? Até que ponto o ensino brasileiro prepara para a vida?
A escola brasileira vive uma crise, são arcaicas nos seus métodos e ecléticas, se não enciclopédicas, nos currículos, não são de preparo verdadeiramente intelectual, não são práticas, não são técnico-profissionais, nem são de cultura geral, então: O que é a escola brasileira? Ser educado escolarmente significa, no Brasil, não ser operário, não ser membro da classe trabalhadora.
A educação de qualidade é um processo educativo seletivo, destinado a retirar da massa alguns privilegiados para uma vida melhor, se fará possível exatamente porque muitos ficarão na massa a serviço dos “bem educados”, e então o sistema funciona, exatamente por não educar bem a todos, mas somente uma parte. A educação de qualidade é um privilégio de poucos.
A ideia de escola comum ou pública, nascida com a Revolução Francesa, a maior invenção social de todos os tempos, que importa sobrepor-se ao conceito de classe e promover uma educação destinada a todos os indivíduos, sem a intenção ou o propósito de prepará-los para quaisquer das classes existentes é uma utopia no Brasil. A escola comum, a escola para todos, nunca chegou entre nós a se caracterizar, ou a ser de fato para todos. A escola de qualidade é para a chamada elite.
Mas este dualismo escolar entre os favorecidos ou privilegiados e os desfavorecidos ou desprivilegiados pode entrar em crise, com a formação de uma consciência comum de direitos em todo povo brasileiro, deparamo-nos com um sistema escolar de todo inadequado para lidar com o verdadeiro problema educativo de um povo uno e indiviso.
Há a necessidade de se fazer uma reforma na política educacional, é dever do governo, dever democrático, dever constitucional, dever imprescritível, que é oferecer ao brasileiro uma escola fundamental capaz de lhe dar a formação fundamental indispensável ao seu trabalho comum, uma escola média capaz de atender à variedade de suas aptidões e das ocupações diversificadas de nível médio, e uma escola superior capaz de lhe dar a mais alta cultura e ao mesmo tempo, a mais delicada especialização. As autoridades são responsáveis por propor uma reforma no sistema educacional brasileiro, tem que olhar para frente, procurar entender o impacto das novas tecnologias na educação brasileira, propor uma política educacional de vanguarda, que vislumbre o futuro, que possibilite a sociedade dar um salto e superar o abismo existente no sistema educacional brasileiro. Uma educação comum e igual para todos, é uma educação sem privilégios. É o maior objetivo a ser alcançado.


quarta-feira, 8 de julho de 2015

Mercados à beira do pânico com queda livre da Bolsa da China !

 
“Uma queda brusca e aparentemente sistêmica da Bolsa de Valores da China levou o Banco Central do país a intervir, suspendendo a negociações das ações de 1476 companhias, depois de chegar a operar em baixa de 8% e fechar em queda de 5.9%.
Para se ter uma idéia, as ações que tiveram negociação suspensa devido às quedas de valores formam, no total, um valor de US$ 2.6 trilhões (cerca de R$8.3 trilhões), o equivalente a 25% do PIB chinês ou pouco mais do que o PIB brasileiro num ano. Por conta do tamanho gigantesco de sua economia, uma queda violenta da bolsa chinesa espalha o terror ao redor do mundo pelo potencial de poder criar uma crise global. O país é o maior consumidor mundial de matérias-primas e produtos primários e uma crise severa em sua economia pode despencar mercados de inúmeros produtos e 'commodities' como minério de ferro e petróleo, por exemplo.
A queda da Bolsa depois de um pico em junho já fez com que as ações das empresas listadas em Xangai perdessem cerca de US$3 trilhões (R$9.5 trilhões). Para conter o pânico, além de uma injeção de cerca do equivalente a R$155 bilhões, também tomou medidas para que os maiores investidores chineses (as grandes redes de varejo) tirem seu capital da Bolsa.
Segundo o Financial Times, gigantes financeiros como o HSBC e a Goldman Sachs fizeram ligeiros rebaixamentos da avaliação dos títulos da China, mas a incerteza para os próximos dias permanece em alta.
As bolsas asiáticas fecharam em forte queda nesta quarta-feira, em meio a um temor generalizado dos investidores com o risco de uma bolha nos mercados, alimentado pela quebra de confiança na eficiência das medidas adotadas pelo governo chinês para estimular a economia do país.
Desde novembro do ano passado, a China tem adotado algumas medidas para reduzir os custos de financiamento e acelerar a economia. A taxa referencial de juros, por exemplo, foi reduzida quatro vezes, para 4,85%. Tais medidas levaram a Bolsa de Xangai a uma alta de mais de 100% entre novembro e junho. No entanto, como a economia real não reagiu com o mesmo entusiasmo, tornou-se crescente o temor de que o mercado acionário chinês esteja próximo de uma bolha.
Além disso, há preocupações de que as medidas cada vez mais "desesperadas" das autoridades para acalmar os investidores estão, na verdade, contribuindo para aumentar os riscos ao sistema financeiro do país.
"Inicialmente, a maior parte dos riscos dos mercados estava com as famílias, mas, com as tentativas de resgate da China, instituições sistematicamente importantes estão assumindo mais riscos", afirmam os economistas do banco Société Générale.
No fim de semana, o governo suspendeu o lançamento de algumas ofertas públicas iniciais (IPOs, na sigla em inglês) e tornou mais fácil para os operadores pedir dinheiro emprestado para comprar ações. Em vez de um aumento nas compras, os investidores estão evitando investir no mercado de ações, que contém mais riscos, e migrando seus recursos para o mercado de títulos, considerado mais seguro. Como consequência disso, o juro do bônus de 10 anos do governo chinês caiu para 3,4% no pregão de hoje, de 3,6% no começo do mês.
No fechamento, o índice Xangai Composto caiu 5,9%, a 3.507,19, com queda acumulada de 32% desde meados de junho. Em Hong Kong, o índice Hang Seng teve recuo de 5,89%, a 23.516,56 pontos. Em Taiwan, o Taiex teve baixa de 2,96%, a 8.976,11 pontos. Na Coreia do Sul, a queda foi de 1,18%, a 2.016,21 pontos.
Na Oceania, a Bolsa de Sydney caiu 2,0% e levou o índice S&P/ASX 200 a 5.469,50 pontos, pressionado principalmente pela queda do preço do minério de ferro, de 4,4% no fechamento de ontem, para US$ 49,7 por tonelada, e com preocupações relacionadas ao impasse entre Grécia e credores internacionais. Em meio a isso, as mineradoras Rio Tinto e BHP Billiton tiveram baixas de 3,25% e 3,12%, respectivamente. Com informações da Dow Jones Newswires.”
Por: André Ítalo Rocha e Redação Yahoo Notícias | Estadão Conteúdo

O que estamos presenciando é mais uma contradição do capitalismo revestido do neoliberalismo vigente, que já não consegue obter retorno financeiro esperado sob o giro operacional das empresas, ou seja, as empresas são incapazes de gerar lucros operacionais que justifique o valor das ações ao nível que são negociadas nas bolsas de valores, e ainda mais, a distribuição de dividendos suficientes para justificar o investimento nas empresas.
Criação e geração de riqueza se faz na operação, com trabalho, produção, venda, e distribuição de riquezas sob a forma de dividendos e salários justos, capazes de constituir e consolidar a formação de uma classe média com poder de compra dos bens de consumo duráveis e não duráveis. Fora deste processo, o que existe é virtual e especulativo, movimento ampliado e disseminado pelo neoliberalismo. E para obter os retornos financeiros esperados pelos investidores, ocorreu ao longo das últimas décadas, uma busca incessante pela redução de custo, via a redução de salários do trabalhador, para tornar as empresas mais competitivas. Processo nocivo, que causou o desiquilíbrio econômico de muitos países, que apresentaram incapacidade de competir, pois existe uma brutal desindustrialização, empobrecimento, perda de empregos, renda e incapacidade de prosperar no comércio interno e externo.
Estamos diante de um impasse, até onde a sociedade vai caminhar nesta direção?
Não existe riqueza sustentável sem distribuição de renda e oportunidades para todos. A concentração excessiva de capital na mão de poucos não permite a edificação de uma sociedade justa, mas sim uma ditadura do capital sobre os ombros de uma maioria desfavorecida. Este talvez seja o paradigma a ser modificado pelas gerações futuras, o neoliberalismo do capitalismo vigente está demonstrando esgotamento e é incapaz de apresentar soluções sustentáveis de longo prazo.
A queda livre da Bolsa da China é um sinal, que demonstra o esgotamento do neoliberalismo vigente. E como a China tem um Estado forte, irá intervir até obter uma alternativa para a crise, que atenda em primeiro lugar seus próprios interesses, limitando a ação do livre mercado financeiro.
Talvez seja um momento de se colocar os pés no chão e passar a pisar em terreno firme, os investidores financistas terão que aprender a viver do lucro operacional das empresas, valorizar os trabalhadores e desenvolverem políticas salariais, capazes de criar e suportar a existência de uma classe média com poder de compra para sustentar as vendas e o lucro das empresas. Como não há cafezinho grátis, também não há consumo sem renda, para um modelo econômico ser sustentável é necessário que exista uma massa salarial capaz de movimentar a economia.
As políticas de austeridade implementadas pelos países, que têm desiquilíbrios fiscais, não apresentam qualquer alternativa sustentável para o emprego do trabalhador. Significa para o cidadão comum, desemprego, inflação, juros altos, diminuição da renda, queda do consumo e desaquecimento da economia, o caos... Quem paga a conta da especulação financeira é o trabalhador comum.
Para termos um planeta sustentável, a economia terá que ser sustentável, e necessitará da mão forte do Estado, capaz de fazer a intervenção necessária para a correção do desiquilíbrio, o livre mercado financeiro não é sustentável em longo prazo, e não é capaz de apresentar soluções sustentáveis para o trabalhador comum, para a sociedade.

“A liberdade responsável é a
liberdade sustentável.”
(Keller Reis Figueiredo)